Em mineração, o projeto precisa nascer pronto para ciclos longos, contaminação, impactos e manutenção em campo, com confiabilidade como requisito central.
Mineração é um ambiente que “mede” o projeto todos os dias. O equipamento trabalha com carga elevada por longos períodos, em velocidades baixas, sobre piso irregular e com variações constantes de aderência e rampa. Esse conjunto muda a lógica do dimensionamento porque as solicitações não aparecem como eventos isolados, elas se repetem em ciclos e constroem dano ao longo do tempo. Por isso, o ponto de partida técnico é descrever a missão de operação com precisão, incluindo ciclo, perfil de terreno, tempos em tração e condições de carga.
A estrutura entra em um patamar de exigência mais alto, principalmente por fadiga. Torções de chassi, flexões cíclicas e impactos recorrentes geram tensões alternadas que acumulam dano em regiões críticas como soldas, suportes, pontos de fixação e interfaces que concentram tensão. Na prática, isso pede rigor na definição de caminhos de carga, controle de rigidez, qualidade de juntas e coerência entre geometria e processo de fabricação. Em mineração, pequenas diferenças de detalhe podem separar uma vida útil previsível de uma sequência de trincas e paradas.
Contaminação e abrasão deixam de ser cenário e viram variável de projeto. Poeira fina e abrasiva encontra folgas, respirações mal posicionadas e vedações incompatíveis com a operação, reduzindo rapidamente a vida de articulações, buchas, rolamentos e componentes de movimento. Na parte elétrica, a combinação de particulado, vibração e lavagem frequente exige conectores, proteção e roteamento desenhados para resistir ao campo, com fixação correta, proteção mecânica e selagem que mantenha desempenho ao longo do tempo. Projetar para mineração é tratar vedação e proteção como itens críticos de confiabilidade.
A gestão térmica muda de dinâmica porque a operação típica reduz a disponibilidade de resfriamento por fluxo de ar e mantém o sistema em alta carga por mais tempo. Isso pressiona o dimensionamento do arrefecimento e a robustez de componentes sensíveis a temperatura, como fluidos, mangueiras, vedações e eletrônica. Além do projeto do sistema, a engenharia precisa considerar perda de eficiência por acúmulo de poeira em trocadores, restrições de ventilação e condições ambientais como altitude e clima. Uma solução térmica bem resolvida protege desempenho e vida útil, e reduz falhas em cadeia.
Manutenibilidade e validação fecham o ciclo de engenharia para mineração. A manutenção acontece com janela curta, em ambiente hostil, com exigências de segurança e produtividade, então acessos, pontos de inspeção, drenagens e substituição de itens de desgaste precisam ser parte da arquitetura desde o início. Na validação, o foco é reproduzir severidade real com correlação entre simulação e testes, critérios de aceitação por subsistema e instrumentação adequada para capturar o que realmente causa dano. Confiabilidade, aqui, é consequência de requisitos bem definidos, escolhas coerentes e validação alinhada ao campo.
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